Cenografia para cantora ilessi no show “Atlântico Negro”.
Africa Brasil. Uma pangeia nossa. Um paralelo entre o conceito de "Atlântico Negro", desenvolvido pelo sociólogo britânico Paul Gilroy em seu livro "The Black Atlantic: Modernity and Double Consciousness" (1993), e o fragmento do texto da historiadora Vanda Machado.
A cenografia criada por Fabio de Souza parte da premissa do encontro das representações gráficas das regiões do Brasil e da África como um elo de narrativas e conexões, em uma imagética espelhada de mosaicos, fazendo uma alusão aos pedaços de espelho mencionados no trecho abaixo do texto de vanda machado ireayo .
Africa Brasil. Uma pangeia nossa. Um paralelo entre o conceito de "Atlântico Negro", desenvolvido pelo sociólogo britânico Paul Gilroy em seu livro "The Black Atlantic: Modernity and Double Consciousness" (1993), e o fragmento do texto da historiadora Vanda Machado.
A cenografia criada por Fabio de Souza parte da premissa do encontro das representações gráficas das regiões do Brasil e da África como um elo de narrativas e conexões, em uma imagética espelhada de mosaicos, fazendo uma alusão aos pedaços de espelho mencionados no trecho abaixo do texto de vanda machado ireayo .
““Conta-se que no princípio havia uma única verdade no mundo. Entre o Orun [1] e o Aiyê [2] havia um espelho.
Daí é que tudo que se mostrava no Orun materializava-se no Aiyê. Ou seja, tudo que estava no mundo espiritual refletia exatamente no mundo material. Ninguém tinha a menor dúvida sobre os acontecimentos como verdades absolutas. Todo cuidado era pouco para não quebrar o espelho da verdade. O espelho ficava bem perto do Orun e bem perto do Aiyê.
Naquele tempo, vivia no Aiyê uma jovem muito trabalhadora que se chamava Mahura. A jovem trabalhava dia e noite ajudando sua mãe a pilar inhames. Um dia, inadvertidamente, perdendo o controle do movimento ritmado da mão do pilão, tocou forte no espelho que se espatifou pelo mundo. Assustada, Mahura saiu desesperada para se desculpar com Olorum.
Qual não foi a sua surpresa quando o encontrou tranquilamente deitado a sombra do Iroko [3]. Depois de ouvir suas desculpas com toda a atenção, declarou que dado aquele
acontecimento, daquele dia em diante não existiria mais uma única verdade e concluiu:
acontecimento, daquele dia em diante não existiria mais uma única verdade e concluiu:
“De hoje em diante, quem encontrar um pedacinho de espelho em qualquer parte do mundo, estará encontrando apenas uma parte da verdade porque o espelho reproduz apenas a imagem do lugar onde ele se encontra [4].””